
Matte Kudasai
Há décadas que esta canção me acompanha. “Matte Kudasai”. “Espera, por favor.” Os King Crimson gravaram-na em 1981, no álbum Discipline, e desde então ela nunca saiu de mim. É uma peça mínima, quase imóvel: um slide guitar que chora como chuva fina numa vidraça, um baixo que respira devagar, uma voz que pede sem exigir. A letra é curta, quase haiku:
She waits in the chair by the window She waits for the night to fall She waits for the night to fall Matte kudasai Matte kudasai
Não há drama, não há grito. Apenas espera. Uma espera limpa, digna, quase japonesa na sua contenção. A mulher da canção não se revolta; fica sentada, quieta, a ver o dia morrer lá fora. Espera que a noite caia, espera que algo aconteça, espera que alguém volte. E o pedido é suave, quase um sussurro: “Espera, por favor.” Não é ordem. É súplica delicada.
Sempre que a ouço, sinto um aperto no peito. Porque sei o que é esperar assim.
Matte kudasai. Espera, por favor.
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