O ÚLTIMO BALUARTE: PORQUE É QUE PRECISA DE LER (E TER) O LIVRO DE PAUL ROSOLIE
Há livros que se compram pelo prazer da leitura e há livros que se adquirem como um acto de cidadania, uma espécie de alistamento moral numa causa que nos ultrapassa a todos. O mais recente trabalho de Paul Rosolie pertence a esta última categoria. Mesmo que a sua vida actual não lhe permita abri-lo hoje, ou daqui a seis meses, a posse deste objecto na sua estante é um lembrete silencioso de que, algures no coração da Amazónia, há homens e mulheres a dar a vida por aquilo que ainda nos resta de oxigénio e de mistério.
Paul Rosolie não é um académico de gabinete nem um activista de sofá. É um homem que habita a linha da frente, onde a beleza absoluta da Natureza choca frontalmente com a brutalidade mais abjecta do lucro imediato. O seu trabalho com os Junglekeepers é uma epopeia moderna: uma luta desigual contra madeireiros ilegais e cartéis de tráfico de droga que operam com uma violência que a nossa civilização urbana mal consegue conceber.
Nestas páginas, não encontramos apenas a descrição da fauna e da flora. Encontramos o relato de um esforço hercúleo para preservar territórios onde a presença humana ainda é uma raridade sagrada. Rosolie descreve, com uma sensibilidade que mereceu o apoio inequívoco de figuras como Jane Goodall, a forma como a sua equipa conseguiu estabelecer contactos pacíficos com tribos indígenas isoladas — seres que guardam a memória da Terra e que, pela primeira vez, aceitaram interagir com o que chamamos "civilização", numa base de respeito mútuo e protecção.
Estes são os verdadeiros heróis dos nossos dias. Enquanto o mundo se perde em discussões estéreis sobre o "eu", Rosolie e a sua equipa enfrentam perigos reais para garantir que a biodiversidade não se torne apenas uma nota de rodapé num relatório de extinção. Comprar este livro é apoiar esta acção directa. É dizer que nos importamos com o facto de a Amazónia estar a ser retalhada por interesses obscuros.
É uma leitura que nos desperta para a fragilidade do nosso ecossistema e para a coragem necessária para o defender. Paul Rosolie mostra-nos que a Amazónia não é apenas uma "floresta distante"; é o sistema circulatório do planeta. E se o deixarmos morrer, morreremos com ele, independentemente do conforto das nossas casas.
Adquira este livro. Leia-o quando puder, mas tenha-o por perto. É o manifesto de um homem que decidiu que a Natureza vale o risco de uma vida. E nós, no mínimo, devemos-lhe a nossa atenção.

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